

O desenvolvimento da tela foi baseado em vivências reais, com questões socioculturais, ambientais, territoriais e ancestrais que trazem uma reflexão sobre as oportunidades e acessos da periferia brasileira e sobretudo de como ela é invisível e vista apenas por aqueles que moram nela. A frase “Eu vejo tudo e ninguém me vê” retirada da música “Da ponte pra cá” do grupo Racionais faz referência ao bairro onde cresci e no lugar que o grupo foi desenvolvido (Capão Redondo), a falta de inclusão e desigualdade social. Sua escrita foi desenvolvida em uma placa acrílica com a mesma frase em braille sobreposta para aqueles com deficiência visual (leitores de braille assim como minha mãe) poderem interagir com a obra e senti-la, além da obra ter alguns relevos para serem sentidos através do tato. “O distanciamento sempre existiu” foi uma frase de um insight que tive durante as vivências da pandemia onde só quem trabalhava durante o período de isolamento era a periferia, diante de várias perdas o favelado sempre foi o que teve que continuar lutando para sobreviver e ocupar espaços. Assim como nossos povos originários onde além de resistirem, lutam para re-existirem no seu território.